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sábado, 12 de maio de 2012

Do blog do Fernando Leite: Relações entre gestores municipais e empresários


GESTORES E EMPRESARIOS, RELAÇÕES AMISTOSAS

As relações de gestores públicos e empreiteiros norteiam as discussões da CPI do Cachoeira, no planalto central do Brasil.

O encontro reservado ou público de empresários e políticos no exercício de seus mandatos suscitam todas as suspeições no tempo presente. Isso vale para o grand monde como também para os paroquianos das pequenas e médias vilas brasileiras.

O deputado federal Anthony Garotinho ganhou a vitrine da mídia nacional, recentemente, revelando fotografias do governador Cabral e de alguns de seus secretários com o empresário Fernando Cavendisch, em restaurantes europeus, em 2009. Não poupou, sequer, a imagem da esposa de Cavendisch, morta em um acidente na Bahia, junto de seu filho e nem disse que  quem levou o empresário para o Rio de Janeiro, foi ele próprio, quando governador.

Garotinho é rápido no gatilho como acusador e julgador. Ele costuma fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

O que ele diria, então, dessas fotos em que a prefeita de Campos aparece em companhia do empreiteiro Ary pessanha, em carreatas eleitorais e festas em sua fazenda, a seguir:

E se além das fotos, as relações institucionais e comerciais entre a prefeitura e o empresário fossem caudalosas. Nada demais, à primeira vista, se o rito legal foi cumprido com rigor. O fato por si só não incrimina ninguém.

A construtora Avenida, por exemplo, do empreiteiro Ary Pessanha, acaba de ganhar licitação da terceira obra mais cara do governo, mais de 66 milhões de reais. Isso sem contar a obra do bairro legal de Donana, de 28 milhões de reais, desconsiderando os aditivos. Aqui, é tudo normal, legal e republicano.

Veja o extrato da homologação:


HOMOLOGAÇÃO E ADJUDICAÇÃO
O Secretário Municipal de Obras e Urbanismo no uso das atribuições que lhe são conferidas pela legislação em vigor, especialmente pela Lei Nº. 8.666/93 e alterações posteriores, HOMOLOGA os atos praticados
no processo nº. 2012.034.000005-3-PR, concorrência Pública nº. 001/12, e, em conseqüência, ADJUDICA o seu objeto, as obras de Urbanização, Pavimentação, Construção de Rede Coletora de Esgoto e Drenagem de Águas Pluviais da Bacia 01 do Bairro Goytacazes e da Rodovia Raul Souto Mayor, Trecho Praça de São Gonçalo ao Ponto da Cruz, em Goytacazes - Município de Campos dos Goytacazes,
a empresa CONSTRUTORA AVENIDA LTDA com o valor total de R$ 66.360.399,85 (sessenta e seis milhões, trezentos e sessenta mil, trezentos e noventa e nove reais e oitenta e cinco centavos).

PUBLIQUE-SE.
Em 03 de maio de 2012.
Edilson Peixoto Gomes
= Secretário Municipal de Obras e Urbanismo =
Id: 1303689

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Obras no bairro da Penha revolta moradores em Campos dos Goytacazes





O problema aqui na Penha ainda persiste e pelo visto está piorando. O engenheiro Denílson da Firma Engenharia Carioca fechou as principais ruas do bairro. Na Av. Nilton Guaraná onde o serviço já estava pronto só esperando o asfalto no dia 10 estava está sendo quebrada novamente porque se esqueceram de ligar a rede de esgoto da rua e com essa chuva q teve a água voltou para as casas. 

Aqui na Travessa Quintanilha, onde moro e estou enviando as fotos ontem começou jogando a areia com pó de pedra e fizeram só até a metade da rua. E o restante da rua será feito quando? É uma Travessa, sem saída e sem calçada e já está caminhando para dois meses de obra que nunca termina, cada semana é um problema que eles arrumam. Segundo o engenheiro teve que tirar a máquina daqui para cobrir reparos onde já havia sido feito. E na rua principal Rossine Quintanilha Chagas estão várias máquinas e funcionários PARADOS! Enfim o bairro uma porcaria com essa obra sem nenhum planejamento. A Penha pede socorro, por 

Por favor, nos ajude 

Quem vai disser que a obra está uma maravilha venha aqui ver de perto a imundice.
Obrigada.

Sthella França

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um pouco de Poesia com Carlos Drummond de Andrade

JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão 
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade